Reflexões de Mãe
Férias
escolares. Crianças em casa. Hora de arquivar os livros do ano anterior e
comprar os novos (haja orçamento!). Assim, entre o que foi e o que virá, eu me
pergunto: o que é importante para que um ser humano aprenda, seja na escola ou
na vida?
Um dia, olhei
para uma goiabeira que tenho no quintal de casa. Apesar de carregada de frutos,
todos os anos havia tantas larvas de moscas nas goiabas que era inviável comê-las.
Tive a ideia de ensacá-las com saquinhos de papel. Foi trabalhoso – precisava da
escada para, pacientemente, envolver uma por uma das goiabinhas ainda verdes,
pequenas. Minha filha, assistindo à cena, perguntou: “Mãe, posso ensacar as
goiabinhas?”.
Em outra
situação, adotamos um cão já idosinho, que havia passado anos perambulando
pelas ruas. Era necessário ensiná-lo a ser um cão de família. Comecei a adestrá-lo.
Qual não foi a minha surpresa quando vi minha menina, no quintal, exercitando
os comandos. “Mãe, quero saber como adestrar um cão”.
Meu pensamento tornou-se concreto como
cimento: nossa sociedade seria mais justa se ensinássemos as crianças a
cultivar o próprio alimento. Ou a tratar os animais com empatia e respeito. Mas
como se dá esse “ensinar”?
Uma visão
ecológica participativa não é fácil de se desenvolver. O olhar para si mesmo,
como animal, ser natural, deveria permear nossas relações familiares e sociais.
Só que nos acostumamos a ver um “meio ambiente” apartado do ser humano, como se
fôssemos apodrecer aquilo que tocamos, de modo que nossa intimidade com a
natureza, que tanto admiramos, é tímida. "Paisagem bonita é aquela que não tem gente!" - quantas fotos de viagem tirei assim... Claro que o modo de vida urbano traz
essa estranheza em sermos criaturas. No entanto, podemos, ao menos, repensar abordagens
equivocadas sobre as questões ambientais no nosso cotidiano.
Um exemplo
clássico: Dia da Árvore. Muitas escolas acham uma ótima ideia decorar as salas
de aula com árvores feitas de garrafa pet. Os professores partem de um
pressuposto correto – é melhor “reciclar” as garrafas em vez de jogá-las
diretamente no lixo. Só que, ao final da atividade, o plástico picotado irá
para o lixo do mesmo jeito. E qual é o objetivo de haver no calendário um dia
dedicado às árvores? Não há reflexão, nem ação concreta. Assim, as crianças crescem
pensando que árvores são boas, sim, mas não sabem plantá-las, identificá-las, podá-las
e destiná-las ao espaço e uso corretos. Tornam-se adultos que adoram estacionar
o carro na sombra, mas reclamam que as folhas da árvore do vizinho sujam a
calçada.
Outro: Dia da
Água. As campanhas de conscientização direcionam-se ao consumidor domiciliar.
Os conselhos midiáticos são vários. Não demorar no banho. Fechar a torneira ao
escovar os dentes. Não regar as plantas com mangueira. Por aí vai. Só que não
há discussão (e muito menos menção) de que os maiores responsáveis pelo consumo
de água são a indústria e o agronegócio. Muito menos se fala ainda de que
saneamento básico é um direito de todos, mas realidade distante de muitos
brasileiros. Ok, nossas crianças não vão peitar os latifundiários da soja, mas
podem ao menos se tornarem consumidores conscientes.
Finalizo aqui
a reflexão. Que possamos contribuir nas pequenas esferas para que nossas
comunidades possam ser mais verdes, mais azuis. Acariciando o futuro e
agloflorestando.
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