quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Participação da AALIS no 5º Congresso Mundial de Agroflorestas 2022- PARTE 1


O MAIOR EVENTO AGROFLORESTAL DO MUNDO. 


 Olá pessoal! Meu nome é Juliana, sou agricultora familiar, bacharel em desenvolvimento rural e professora de história. Junto com parceiros que são envolvidos com os temas relacionados a agroflorestas e agroecologia, fundamos a AALIS! Nossa associação vêm quebrando paradigmas e plantando uma nova semente em nossa região. Semente esta que carregamos durante muito tempo em nosso coração, fruto dos ensinamentos e práticas de nossos ancestrais que organicamente cultivavam em seus quintais os sistemas que hoje conhecemos como agroflorestas. Neste texto, irei comentar com vocês um pouco sobre a experiência de participar presencialmente do 5º Congressso Mundial de Agroflorestas que occoreu em Quebéc no Canadá entre os dias 17 e 21 de julho de 2022.

Mesmo com inúmeros desafios, nossa coletividade tem conquistado o espaço que é nosso! O litoral da metade sul do estado do Rio Grande do Sul é bastante diferente do restante do Estado e do país. De fato, temos muitas diferenças, especialmente geográficas, pois somos uma região litorânea subtropical, compartilhando o bioma Pampa com nossos vizinhos Uruguai e Argentina. Porém, nosso país é marcado pela diversidade de povos, climas e culturas, portanto,  nada mais justo do que representarmos um pouco desta diversidade para o mundo!   

 Passo a passo, vamos conquistando mais oportunidades de fazer ressurgirem os estratos florestais da nossa Pampa, agindo localmente e nos comunicando globalmente.  Neste contexto, o 5º Congresso Mundial de Agroflorestas nos deu oportunidade para participar de um diálogo aberto e inclusivo entre várias partes interessadas de todo o mundo incluindo agricultores, pesquisadores, conselheiros, formuladores de políticas e representantes do governo, da sociedade civil e o setor privado. Eu tive a honra e responsabilidade de participar presencialmente deste evento em Quebéc, e nada disso seria possível sem a ajuda da organização do evento que subsidiou os custos de viagem, estadia e alimentação. Somos muito gratos por isso! 

Em breve iremos publicar mais detalhes sobre nossa participação neste evento, mas nessa primeira matéria, vou compartilhar com vocês os slides apresentados na plenária final do congresso, que teve como temática o nexus entre Agroecologia e agroflorestas. 

Compuseram a mesa fazendo apresentação e mediação:

Fergus Sinclair, cientista-chefe do CIFOR-ICRAF 

 Marney Isaac, professora da Universidade de Toronto e Cátedra de Pesquisa do Canadá em Agroecossistemas e Desenvolvimento.

Os painelistas foram: 

Francisco Rosado-May, Presidente Fundador da Universidade Intercultural Maya de Quintana Roo, que apresentou uma perspectiva Yucatec Maya para a interface da Agroecologia e Agrofloresta 

Swati Renduchintala, cientista associado da World Agroforestry, sua fala teve o título de: Engajando e Ampliando a agroecologia por meio da intervenção comunitária em Andhra Pradesh.

Mai Phuong Nguyen, Cientista Associada da World Agroforestry que abordou  o trabalho com mulheres e grupos marginalizados para desenvolver paisagens agroecológicas no Vietnã.

Genna Tesdall, Diretora de Jovens Profissionais para Desenvolvimento Agrícola Agroflorestal e para Liderança jovem para agroecologia e agrofloresta.

Janet Maro, Diretora Executiva da Agricultura Sustentável Tanzânia, apresentando um panorama sobre experiências de  Agroecologia na Tanzânia.

Poder ouvir essas experiências pessoalmente foi algo incrível! Especialmente em um contexto pós pandemia. Estar presente em uma grande reunião com pessoas de todo o mundo trazendo os seus relatos sobre agroflorestas de lugares tão diferentes e distantes foi muito especial. Essas pessoas, tão diferentes tem em comum a sua vivência em agrofloresta, assim como nós aqui da AALIS.

 Nesta ocasião, tive a oportunidade de apresentar a experiência da nossa jovem associação, tendo como estímulo as perguntas lançadas pela organização do evento. Com base nestas questões conversamos com os associados, revisitamos os textos gerados em nossas interações e junto aos parceiros Daniel Godoy de São José do Norte e o João Neto de Rio Grande, organizamos a apresentação de um arquivo pptx em português e inglês, que vocês podem conferir aqui nesta postagem. 

Eu pude fazer a minha fala em espanhol, embora o idioma oficial do evento tenha sido inglês, e isso foi possível com a ajuda da parceira Denise Amador da Fazenda São Luiz que é uma das fundadoras do Multirão Agroflorestal. Ela estava presente no evento representando a Rede de Apoio as Mulheres da Agrofloresta - RAMA. A rede promoveu um evento satélite em parceria com a Sempre-Viva Organização Feminista -SOF, intitulado: Agrofloresta, Feminismo e Agroecologia: entrelaçando saberes e fazeres das mulheres, ocorrido em abril deste ano. 

Na plenária foram feitas perguntas para todos que estavam presentes, gerando dados que estão sendo organizados e analisados para o próximo congresso. Compartilho com vocês a nuvem de palavras gerada na plenária




O blog do Center for International Forestry Research (CIFOR) e World Agroforestry (ICRAF) fez recentemente uma matéria sobre esta plenária, que vocês podem conferir acessando ao link: https://www.worldagroforestry.org/blog/2022/07/25/trees-make-it-easier-farm-harmony-nature

Mas afinal, como a nossa associação chegou a participar de um evento tão importante como esse? Tudo foi possível graças ao nosso companheiro João Neto e a Drª Daiane Carrasco que enviaram o resumo sobre o evento “Vivência em Agrofloresta” ocorrido em dezembro de 2021, na cidade de Rio Grande. A Chácara Lagoa do Rei, da família dos nossos estimados associados Celso Santos e Margareth Badejo foi o local onde realizamos uma curso de implantação de um Sistema Agroflorestal. A dinâmica foi conduzida pelo meu companheiro, que é agricultor, professor e educador ambiental , o Diego Sabbado Menezes do Sítio Jardim das Acácias. Com ajuda do Wagner Vitória do SAF Santo Amor e  com o apoio do Dr. Ernestino Guarino, professor da UFPEL e pesquisador da Embrapa passamos dois dias comungando teorias e práticas agroflorestais. Tivemos muitos apoiadores neste evento, entre eles o Núcleo de Estudos e Monitoramento Ambiental -NEMA, que apoiou bastante o evento satélite e posteriormente esta viagem. Para conferir mais sobre nossos outros apoiadores vocês podem acessar nosso perfil no instagram: https://www.instagram.com/aalisagroflorestas/

A organização do congresso fez uma seleção de agricultores que participaram dos eventos satélites. Tudo começou em abril de 2022 quando fiquei sabendo desta seleção e pedi permissão para meus amigos e amigas da associação para me candidatar. A organização do congresso solicitou que escrevêssemos um email respondendo algumas perguntas, entre elas:

  • Em uma frase, quais seriam quais seriam os benefícios de comparecer ao congresso pessoalmente para você, sua organização e seus colegas agricultores?

 Essa foi a pergunta que definiu o meu ingresso neste evento e tornou possível realizar o sonho de conhecer um país que eu admiro muito, e sempre quis conhecer. Eu separei um tempo em silêncio, respirei fundo e respondi: 

"Os benefícios de participar presencialmente do 5º congresso mundial de agroflorestas são muitos, como dar visibilidade a nossa causa coletiva representando as mulheres agricultoras que atravessam inúmeros desafios na prática dos trabalhos agrícolas e não agrícolas que envolvem as agroflorestas, demonstrando que nossos ideiais são compartilhados em todo o mundo e não estamos sozinhas, além de viver o sonho de conhecer mais do nosso continente Americano!"

Em maio a a organização do congresso, por meio do Comitê Vozes Agrícolas entrou em contato comigo e outros agricultores de diversos países para avisar que fomos escolhidos! Desde então, eu estive quase todos os dias envolvida em algo sobre a viagem. Com uma carta de convite fornecida pela organização do Congresso, iniciei o processo de aplicação para o visto canadense. Tive que fazer coleta biométrica em Porto Alegre e aguardar que o visto fosse aprovado em tempo. Quase todos os dias eu escutava músicas canadenses que estiveram presentes em muitos manejos agroflorestais e momentos de descontração ao longo da vida, como por exemplo La paix des braves de Samian com Loco Locass https://www.youtube.com/watch?v=sLscnMn_6iQ .

A organização fez tudo que foi possível e meu visto foi aprovado com sucesso, assim eu pude realizar essa missão. Mas infelizmente nem todos os selecionados pelo congresso conseguiram seus vistos em tempo! Algumas pessoas tiveram que fazer as suas falas de modo online. O próximo congresso será em Rwanda em 2025, e eu espero que esses problemas com relação aos vistos não aconteçam novamente!

Gratidão por ler a parte 1 da série de textos que iremos publicar sobre  nossa participação no 5º Congresso Mundial de Agroflorestas. Estou escrevendo diretamente do Sítio Jardim das Acácias, localizado no município do Chuí. Uma Unidade de Produção Agrícola pioneira na implantação de Sistema Agroflorestal na porção ao Sul da Lagoa dos Patos. Este espaço tem como objetivo empreender no setor de produtos ecológicos e promover atividades educacionais sobre questões ambientais. No sítio são produzidos alimentos orgânicos como frutas, ervas, legumes e verduras e processamento destes produtos para a venda direta ao consumidor e para o atendimento do Programa Nacional de Alimentação Escolar.  Para conferir mais sobre o nosso sítio, siga no instagram: https://www.instagram.com/saf_jardim_das_acacias/


Confira os slides da nossa apresentação na plenária Nexus entre Agroecologia e Agroflorestas:










Este slide foi atualizado 





Confira mais informações sobre o congresso acessando: https://www.agroforestry2022.org/en


Obrigada
Thank you 
Merci
Gracias
Cảm ơn
Asante

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

 

Por que é mais fácil salvar baleias do que florestas?

 

            “Seus netos vão lhe perguntar em poucos anos/pelas baleias que cruzavam oceanos/ Que eles viram em velhos livros/ Ou nos filmes dos arquivos/ Dos programas vespertinos de televisão.”

É, meu povo... Em 1981 Roberto Carlos lançava esta belíssima canção, intitulada “As baleias”. Gravou outras canções de protesto, em defesa dos índios, da Amazônia, contra o desmatamento, enfim... A lista é longa, papo para outros textos, talvez... O fato é que o engajamento de celebridades à causa das baleias surtiu o efeito desejado – a partir de 1987, com a sanção da lei Gastone Righi por José Sarney, a “pesca” foi proibida no Brasil.

Na mesma tirada de ativismo celebridade, em 2007, na onda da minissérie “Amazônia, de Galvez a Chico Mendes”, encabeçados pela atriz Christiane Torloni, vários artistas lançaram o manifesto “Amazônia para Sempre”, convocando a sociedade para coleta de assinaturas e engajamento para ações de proteção à floresta. A ideia não colou. Na década de 80, quando a legislação ambiental nem era tão discutida, a vitória dos grupos ambientalistas foi histórica, e em pleno século XXI, com inúmeras pautas verdes, o apelo pela Amazônia não surtiu o efeito desejado. Mas por quê? A resposta é complexa. Parece aqueles sistemas de equações que a gente nunca sabe se respondeu certo, mas vou tentar seguir uma linha de raciocínio.

O caso das baleias

O primeiro ponto importante é que não foi o ativismo de olhos azuis que fez com que praticamente todos os países, com exceção do Japão e da Noruega, decretassem a moratória da baleação (nome que se dá à “pesca” desse mamífero). O que ocorreu foi que a partir do início do século XIX o custo da atividade era muito alto. Com a captura excessiva, as baleias se tornaram escassas. Era como procurar uma agulha num palheiro.

Os baleeiros saíam em expedições cada vez mais longas, distantes da costa. Comandantes experientes conheciam as rotas migratórias das espécies de interesse, como a baleia franca e os cachalotes. Havia uma certa soberba, até que o naufrágio do Essex, em 1820, mostrado no filme “No Coração do Mar” (sem spoilers), mostrou à comunidade náutica o quão perigosas eram tais caçadas. Jovens aspirantes a marinheiros passaram a preferir a Marinha de Guerra ou a Marinha Mercante, ambas mais prestigiosas do que os baleeiros, e a tripulação desses barcos foi paulatinamente envelhecendo. Algumas décadas depois, em 1859, o petróleo em terra foi descoberto, substituindo o óleo de baleia em diversos insumos industriais. Passada a Segunda Guerra, a frota baleeira já estava reduzida e grupos ambientalistas, como o Greenpeace, surgido na década de 70, só apressaram o fim de uma captura em declínio.

Ou seja: o ativismo frutificou porque foi semeado em terreno propício, onde a falta de interesse econômico, a causa ambiental e a opinião pública se abraçaram. O Brasil seguiu uma tendência já acenada por outros países a partir de 1982, com a Comissão Baleeira Internacional, que pedia a moratória. Houve lobby do setor baleeiro no país, mas ainda assim a pressão social venceu.

Ecologia ou jardinagem? 

Segundo ponto: com desigualdades sociais gritantes, a causa contra o desmatamento parece uma luta burguesa, embora, muito pelo contrário, não seja. Assim, as camadas populares nas periferias das cidades não se identificam com ela. Milhões estão tão ocupados em sobreviver que onça-pintada e tamanduá-bandeira são supérfluos.

Terceiro: somos permissivos demais com o desmatamento. Etimologicamente “eiro” se usa para profissões (padeiro, joalheiro, cabeleireiro, etc.), brasileiro, que designa nossa nacionalidade, nada mais é do que a profissão de desmatador, palavra que os jesuítas utilizavam para chamar quem viva aqui pelos mil e quinhentos e bolinha. Pode parecer bobagem, mas o etos do brasileiro encara que é aceitável desmatar em nome do progresso. É como se uma voz interna repetisse: “Mas sempre foi assim!” Se for necessário destruir um mangue pra construção de um resort de luxo à beira-mar, ok, ninguém contesta. Ou melhor, poucos contestam, mas são vencidos. Mesmo a classe média, que poderia ter endossado o manifesto de 2007, tem uma visão muito limitada. Acha que a floresta é árvore e bicho e mais nada. É aquele povo que diz que índio não tem que ter terra, que as nações de primeiro mundo já acabaram com as florestas delas e não tem que dar pitaco nas nossas (como se um erro justificasse outro). É o famoso ponto de vista do “cidadão de bem”, que nos levou aonde levou...

Quarto: as milícias rurais tem cadeiras cativas no Legislativo. Grileiros, garimpeiros e madeireiros tem relações muito intrincadas de poder dentro das bancadas da bíblia, do boi e da bala. As leis de proteção ambiental se flexibilizam em torno dos interesses financeiros. Assim, a impunidade para crimes ambientais é regra, não exceção. Enquanto não houver mais benefícios para quem manter a Floresta em pé, em detrimento de anistia para desmatador, o prato da balança não vai pender a nosso favor. Vai demorar muito para que o jogo vire. A representatividade política dos atores sociais da Floresta vem crescendo timidamente, mas é uma centelha de esperança.

            Quinto: engolimos o engodo de que o agronegócio salva a economia. Na verdade, a expansão das fronteiras agrícolas e pastagens são os grandes aceleradores da tragédia. Acabam entrando em conflito latifundiários e pequenos produtores. Quem sai perdendo são os últimos, claro. Mesmo os governos de esquerda não foram capazes de tocar em questões progressistas, como a Reforma Agrária e a Demarcação de Terras Indígenas. Sem garantias constitucionais, não há como proteger e fomentar o desenvolvimento sustentável das pequenas e médias propriedades, a exemplo das reservas extrativistas, cooperativas, casas de farinha e outros.

Chico Mendes dizia que “Ecologia sem luta de classes é jardinagem”, e ele estava certo. Defender a floresta é estar ao lado dos pequenos, da ponta mais fraca da corda. Por isso não avançamos: não acolhemos as minorias. Salvamos as baleias, mas deixamos a floresta morrer um pouco a cada dia. O reencontro com os povos originários, populações ribeirinhas e comunidades tradicionais precisa acordar o Gigante. Um movimento interno, a força motriz da mudança social que queremos. Não quero que “meus netos me perguntem em poucos anos” – quero que sintam, vejam e vivam.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

CONHEÇA MAIS - CURSO ON LINE DE IMPLANTAÇÃO DE AGROFLORESTA

  CURSO ON LINE DE IMPLANTAÇÃO DE AGROFLORESTA 


A AALIS organizou um grupo de mídia e com parceria com o Instituto Sociambiental de Comunicação - ISCA e a rede de Pontos de Cultura da região vêm publicando os registros da vivência 


Venham com a gente acompanhando esses conteúdos básicos e avançados sobre Agricultura Sintrópica voltada para o litoral do Rio Grande do Sul em ecossistemas híbridos entre os biomas Pampa e Mata Atlântica


No vídeo abaixo o Educador Ambiental  Diego nos traz os conceitos e ideias da sincronização do sistema agroflorestal veja como isto é fundamental para o caminho da ambundância





 



Agroecologias: princípios e esperanças


PRÍNCIPIOS DA AGROECOLOGIA


Esteve compartilhando a vivência na implantação da Agrofloresta da Rainha na Chácara do Rey na Ilha dos Marinheiros a professora Carelia Rayen Hidalgo Lopez do Programa de Pós-graduação em Educação Ambiental


Confira no vídeo de registro um pouco deste importante momento e seu relato de experiências de trabalho com a Agreocologia





Acariciando o futuro e agloflorestando


Reflexões de Mãe



Férias escolares. Crianças em casa. Hora de arquivar os livros do ano anterior e comprar os novos (haja orçamento!). Assim, entre o que foi e o que virá, eu me pergunto: o que é importante para que um ser humano aprenda, seja na escola ou na vida?

Um dia, olhei para uma goiabeira que tenho no quintal de casa. Apesar de carregada de frutos, todos os anos havia tantas larvas de moscas nas goiabas que era inviável comê-las. Tive a ideia de ensacá-las com saquinhos de papel. Foi trabalhoso – precisava da escada para, pacientemente, envolver uma por uma das goiabinhas ainda verdes, pequenas. Minha filha, assistindo à cena, perguntou: “Mãe, posso ensacar as goiabinhas?”.

Em outra situação, adotamos um cão já idosinho, que havia passado anos perambulando pelas ruas. Era necessário ensiná-lo a ser um cão de família. Comecei a adestrá-lo. Qual não foi a minha surpresa quando vi minha menina, no quintal, exercitando os comandos. “Mãe, quero saber como adestrar um cão”.

 Meu pensamento tornou-se concreto como cimento: nossa sociedade seria mais justa se ensinássemos as crianças a cultivar o próprio alimento. Ou a tratar os animais com empatia e respeito. Mas como se dá esse “ensinar”?

Uma visão ecológica participativa não é fácil de se desenvolver. O olhar para si mesmo, como animal, ser natural, deveria permear nossas relações familiares e sociais. Só que nos acostumamos a ver um “meio ambiente” apartado do ser humano, como se fôssemos apodrecer aquilo que tocamos, de modo que nossa intimidade com a natureza, que tanto admiramos, é tímida. "Paisagem bonita é aquela que não tem gente!" - quantas fotos de viagem tirei assim... Claro que o modo de vida urbano traz essa estranheza em sermos criaturas. No entanto, podemos, ao menos, repensar abordagens equivocadas sobre as questões ambientais no nosso cotidiano.

Um exemplo clássico: Dia da Árvore. Muitas escolas acham uma ótima ideia decorar as salas de aula com árvores feitas de garrafa pet. Os professores partem de um pressuposto correto – é melhor “reciclar” as garrafas em vez de jogá-las diretamente no lixo. Só que, ao final da atividade, o plástico picotado irá para o lixo do mesmo jeito. E qual é o objetivo de haver no calendário um dia dedicado às árvores? Não há reflexão, nem ação concreta. Assim, as crianças crescem pensando que árvores são boas, sim, mas não sabem plantá-las, identificá-las, podá-las e destiná-las ao espaço e uso corretos. Tornam-se adultos que adoram estacionar o carro na sombra, mas reclamam que as folhas da árvore do vizinho sujam a calçada.

Outro: Dia da Água. As campanhas de conscientização direcionam-se ao consumidor domiciliar. Os conselhos midiáticos são vários. Não demorar no banho. Fechar a torneira ao escovar os dentes. Não regar as plantas com mangueira. Por aí vai. Só que não há discussão (e muito menos menção) de que os maiores responsáveis pelo consumo de água são a indústria e o agronegócio. Muito menos se fala ainda de que saneamento básico é um direito de todos, mas realidade distante de muitos brasileiros. Ok, nossas crianças não vão peitar os latifundiários da soja, mas podem ao menos se tornarem consumidores conscientes.

Finalizo aqui a reflexão. Que possamos contribuir nas pequenas esferas para que nossas comunidades possam ser mais verdes, mais azuis. Acariciando o futuro e agloflorestando.














quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

CONHEÇA MAIS

AALIS nasce fazendo parcerias com organizações sociais, de pesquisa, prefeituras e sindicatos





Esteve presente compartilhando saberes e apoiando com sementes de arvores nativas da região litorânea do Rio Grande do Sul o professor e pesquisador Ernestino Guarino da EMBRAPA que desenvolve pesquisas que estão reduzindo muito os custos e aumentando a resiliência e a velocidade de evolução de agroflorestas.


Foi fundamental para a realização do evento o apoio da Pró-reitora de Extensão de Cultura da Universidade Federal do Rio Grande e da Diretoria de Extensão da FURG que tornaram o evento um projeto de extensão universitária.


Outra parceria fundamental foi com o Viveiro Florestal do Núcleo de Monitoramento Ambiental - NEMA que com o apoio permitiu a viabilidade juntamente também, com outras organizações sociais como o Sindicato dos Técnicos da Universidade Federal do Rio Grande - APTAFURG e Sindicatos dos Conferentes de Carga e Descarga do Porto do Rio Grande.  


Importante também, destacar a articulação e parceria com a Prefeitura Municipal do Rio Grande e Prefeitura Municipal do Chuí e com os Pontos de Cultura Arte Estação e Freguesias Litorâneas.


Foram capacitadas através de dois dias de evento cerca de 40 pessoas através de momentos de aulas teóricas e práticas acompanhadas pelos professores Diego e Wagner que vem desenvolvendo Sistemas Agroflorestais há mais de 10 anos em nossa região e obtendo considerável sucesso.


O arranjo de instituições e agentes sociais mobilizado busca promover um novo paradigma de produção, cultivo e cultura para o desenvolvimento sustentável da região apresentando um conjunto de tecnologias sociais capazes de impulsionar o desenvolvimento local, a geração de renda, melhorias nas condições de vida, trabalho e saúde da população em toda a região.  


O evento prevê se estender até o mês de março através de momento on line de modo a poder possibilitar uma maior troca de experiências entre os participantes e envolver comunidades de conhecimento da FURG,  UFPEL, EMBRAPA e EMATER integrando também, espaços, experiências e interface com comunidades rurais em São José do Norte, Rio Grande, Chuí, Santa Vitória do Palmar, Pelotas e região. 


Os próximos momentos de nossa Vivência em Agrofloresta será em breve


Divulgaremos data e horário em todas os nossos canais de Comunicação


Confira aqui o registro em vídeo de nossa conversa no evento de vivência realizado na Ilha dos Marinheiros


Conheça mais sobre esse trabalho através da lista de vídeos curtos e da lista de vídeo longos 























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